VESTIBULAR

COMUNA ADELIANA

Por: Amanda da Rocha e Flávia Unterman.

 

 

Turbulência nos vestibulares

Por Nicolau Marmo

 

  • Este é um ano conturbado no que se refere a alguns dos principais vestibulares do país. Está em estudo a mudança do formato para o vestibular da USP. A UNESP já decidiu por alterações, introduzindo três novas disciplinas: Filosofia, Artes e Educação Física ( não se trata de prova de habilidade específica). O ministro da Educação, Fernando Haddad, fala em unificar os vestibulares das universidades federais.
  • No meio dessa confusão a imprensa registra idéias equivocadas proferidas por autoridades de ensino, como as que apresento ( e comento) a seguir:

O vestibular é o grande culpado pelo mau desempenho do Ensino Médio, que, em vez de dar formação a seus alunos, faz treinamento para as provas, na base da decoreba. – A culpa é sempre dos professores.

Os vestibulares cobram apenas memorização. – Aqui insultam abertamente algumas competentes Os cursinhos, em vez de ensinar, treinam seus alunos para responder testes. - Fica o convite para que assistam às aulas do Anglo.

A prova de primeira fase, com questões objetivas, não será classificatória, porque os adestrados alunos de cursinho, neste tipo de prova, levam vantagem sobre os alunos de escola pública. Na segunda fase, com questões discursivas, ficam todos em igualdade de condições. - Será?  

  • Não entendemos porque o governo procura interferir no processo de acesso às universidades públicas, que funcionam tão bem, em vez de se preocupar com o Ensino Básico, que funciona tão mal.
  • O edifício do conhecimento é um dos valores mais importantes da humanidade e somente com ele sobreviveremos neste planeta. A universidade é geradora de conhecimento. Cada uma define o perfil do profissional que pretende entregar ao mercado de trabalho. Ela constrói o edifício sobre alicerces plantados no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. O vestibular seleciona os mais aptos a preencher as vagas oferecidas. É um concurso como tantos outros, mas cada universidade sabe quais alicerces mais lhe convêm.

O edifício do conhecimento não é construído somente sobre competências e habilidades, mas também sobre conteúdos básicos.

Pode o Enem substituir os vestibulares? Pode, mas não deve. Por que são propósitos distintos: o Enem tem por finalidade avaliar competências e habilidades adquiridas no decorrer do Ensino Básico, enquanto os vestibulares procuram selecionar candidatos com conhecimento necessário para acompanhar o curso superior escolhido. É possível avaliar simultaneamente competências, habilidades e conteúdo? Sim, é a proposta do novo Enem, que serviria de primeira fase para todas as escolas federais do país. Cada escola programaria sua segunda fase, com provas adequadas para a seleção de alunos com o perfil desejado. Caso o novo Enem substitua o Enem tradicional, poderá haver prejuízo para a avaliação do Ensino Médio porque, aprofunda o conteúdo, muitas questões deixarão de ser resolvidas.

  • A preocupação com os PCN’s muda alguma coisa nos cursos preparatórios para vestibulares? Não, todo bom professor faz relações interdisciplinares entre suas aulas e, para motivar os alunos, procura contextualizar os conhecimentos de suas matérias. As competências básicas, entendimento de textos e processamento de informações recebidas para resolver uma situação-problema são desenvolvidas em qualquer curso bem planejado. Então, o que muda na preparação de candidatos para vestibulares? Nada muda: o professor ensina, o aluno aprende, é tudo muito simples. Não importa se a prova é do tipo Enem, com questões objetivas ou discursivas.

Toda discriminação é odiosa. Cotas e bônus são medidas inconstitucionais e antipatrióticas. Por que antipatrióticas? Porque devemos selecionar a cada ano o melhor potencial intelectual de que dispomos. Essa gente vai dirigir o país nos próximos anos e produzir mais conhecimento.
O que fazer, então, com os alunos carentes? O governo oferece o PROUNI; que oferece também o PROVEST, cursinho gratuito para que todos concorram em igualdade de condições nas mais diversas instituições de graduação.

Justiça seja feita.

                                                               Nicolau Marmo é coordenador geral do Sistema Anglo de Ensino.